Chineses do Minsheng Banking querem comprar Novo Banco
CRISTINA FERREIRA
03/10/2016 - 15:04
Negociações entre a instituição chinesa e o Fundo de Resolução decorrem há várias semanas em paralelo com o concurso público de venda do Novo Banco.
O ministro das Finanças, Mário Centeno, e o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, terão uma palavra na venda do Novo Banco
DANIEL ROCHA
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A 30 de Julho, o Banco de Portugal informou que tinha seleccionado cinco grupos para iniciar negociações finais: o BCP, o BPI, e três fundos norte-americanos de
private equity, o Lone Star Funds e a Apollo associada ao Centerbridge Partners. Desde então a autoridade de supervisão nada mais disse de substancial sobre a matéria e desconhece-se se algum dos quatro candidatos que disputam o concurso público oficializou uma oferta firme. Até esta segunda-feira, 3 de Outubro, nunca o nome do Minsheng Bank foi mencionado pelas autoridades.
Meta do Verão ultrapassada
O impasse em torno do Novo Banco deixa assim antever complicações, pois o Fundo de Resolução deveria ter fechado o acordo ainda durante o Verão. Este foi o timing mencionado por vários responsáveis.
Os jornais têm, entretanto, referido que os valores em cima da mesa são insuficientes para compensar o capital inicial injectado no Novo Banco: 4900 milhões, dos quais 3900 milhões financiados pelo Estado. E a natureza das propostas do BCP, BPI, do Lone Star Funds e da Apollo/Centerbridge Partners não são interessantes.
Segundo o
Expresso apenas visariam partes do banco e não ultrapassariam os 500 milhões. O PÚBLICO sabe, no entanto, que alguns destes grupos estão a proceder a melhoramentos nas suas propostas para responder a alguns requisitos do Fundo de Resolução.
A alienação do Novo Banco decorre também numa fase em que a instituição já apresenta resultados operacionais positivos, embora existam razões que podem obrigar a um novo aumento de capital: o reforço de imparidades; a menor valorização dos activos transferidos para o
side bank (divisão que concentra os negócios e carteiras não estratégicos, novos activos, para venda); e os que resultam de medidas regulatórias do Banco Central Europeu (BCE) como os ajustamentos anuais do capital.
Ainda que a orientação estratégica do Banco de Portugal tenha sido até aqui a alienação do Novo Banco por concurso público, Sérgio Monteiro (o ex-secretário de Estado dos Transportes de Passos Coelho encarregue pelo Banco de Portugal para encerrar o dossier) nunca escondeu que todas as vias eram possíveis. Até porque o concurso público foi desenhado com uma lógica aberta e regras jurídicas flexíveis. E é esta informalidade que permite ao vendedor “falar” com quem entender e em qualquer momento. E ficar livre para mudar de agulha, em caso de revés, e ter na “mão” um plano B.
Foi neste contexto que Sérgio Monteiro e a gestão do Novo Banco, agora liderado por António Ramalho, alimentaram os contactos com o Minsheng Bank que tem sido acompanhado por escritórios de advocacia e consultores.
O banco chinês deu ao Banco Haitong (ex-BESI) mandato para negociar com as autoridades nacionais. E assim obter, via Novo Banco, uma licença bancária para operar no espaço europeu.
Autoridades têm de autorizar
Qualquer solução terá, no entanto, de passar pelo crivo de múltiplas entidades com interesses diferentes e poder discricionário.
Para além do Fundo de Resolução, que representa os bancos accionistas, do Governo, credor do Fundo de Resolução, a Direcção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia e o Banco Central Europeu (BCE), que equipara a supervisão bancária chinesa à europeia, têm uma palavra decisiva. E é do interesse de todos fechar este dossier, que é complexo e difícil, o mais rápido possível.